terça-feira, 12 de novembro de 2013

Nós pagamos mais do que pó de arroz e esmaltes

Sheila Nogueira

“Não me separo porque não tenho como sustentar a mim e aos meus filhos.” Quantas vezes ouvimos que a dependência econômica da mulher, especialmente com filhos, é um fator determinante para a manutenção de relações familiares violentas ou de casamentos indesejáveis?


Para completar, mesmo quando a mulher trabalha, ela o faz “para ajudar” no orçamento doméstico, essa ajuda nunca é qualificada como uma possibilidade de realização pessoal, ou como sobretrabalho somado as inúmeras tarefas realizadas na casa e com as crianças, ou vista como complementação da renda familiar. A palavra “ajuda” é usada para diminuir tanto em importância pessoal quanto como possibilidade de ser, muitas vezes, a principal  fonte de renda da família.

Duas questões são chaves nessas argumentações:

a)      A mulher “ajuda” no orçamento doméstico, como se a sua contribuição moralmente valesse menos. Entrevistei várias mulheres que “ajudavam” no orçamento doméstico fazendo doces ou costurando, que quando perguntadas sobre quais itens do orçamento doméstico eram cobertos por essa ajuda, ficava claro que de fato a família dependia desse trabalho. Muitas vezes essa “ajuda” nem é analisada, ficando invisível diante da resposta da mulher em dizer que “não trabalha”. Em uma dessas entrevistas ouvi uma mulher dizer que começou a fazer um curso de costura numa igreja e que o marido “deixava” que ela fosse porque é isso mesmo que ela devia fazer com seu tempo livre: “aprender a costurar na igreja e depois vender umas bolsinhas.” Segundo ela, o marido dizia que era distração e também servia para ela comprar pó de arroz e esmalte. Essa mulher juntou-se a outras e juntas fornecem bolsas para eventos em todo o Brasil. E pediu a separação. Dados do IBGE (2012) apontam que em 46, 4% das famílias biparentais são as mulheres as principais responsáveis pelo sustento da família. Quem ajuda quem?

 b)      A mulher trabalha quando precisa, quando marido não consegue sustentar sozinho a casa, o marido tem um trabalho, uma carreira. Quantos homens seguem suas mulheres em cursos e trabalhos fora do país? Quantos homens ficam em casa para cuidar dos filhos para mulher investir numa carreira profissional? Quando há filhos, são as mulheres que saem do mercado de trabalho, mesmo em casos em que seu trabalho pode ser mais bem remunerado do que dos seus maridos.

Um arranjo familiar justo a mulher não “ajuda” com o pagamento das despesas da casa e nem o marido “ajuda” lavando a louça: os dois são corresponsáveis.  Quando usamos o “ajuda” estamos dizendo que o dever é do outro. É dever do homem sustentar a casa e a mulher “ajuda”, é dever da mulher lavar a louça e o homem “ajuda”.
Ações de apoio ao empreendedorismo e acesso a crédito quando pensadas para mulheres precisam levar em consideração componente do universo machista das relações sociais e também essas novas manifestações do machismo (Luis Bonino, 2006), do homem que “não proíbe”, do homem que “deixa” fazer o curso e que até “ajuda” nas tarefas da casa.

É preciso falar em projeto de vida, em realização pessoal e não em trabalhar/empreender para “ajudar”. Os homens empreendem para realizar um sonho, para por em prática uma ideia genial e as mulheres empreendem por quê? Para ajudar o filho a fazer faculdade, para ajudar a pagar a casa, para ajudar o marido que está desempregado?
 Quando uma mulher empreende e consegue gerar renda para se manter e manter seus filhos, isso coloca em suas mãos o poder de decidir sobre quais são seus projetos e com quem quer compartilhá-los. E é claro o lhe dá segurança para cobrar, por exemplo, a parte que cabe aos pais dos filhos nos seus sustentos e educação.

 Considerando ainda que mais de 20% das famílias brasileiras são monoparentais e chefiadas por mulheres, que nesse caso são responsáveis sozinhas pelo sustento e educação dos filhos, isso coloca uma responsabilidade ainda maior no seu papel de “mulher empreendedora” e na necessidade de uma rede de serviços que precisam ser disponibilizado – creches, por exemplo, para que essas mulheres possam ter projetos de vida que caibam além de garantir o “sustento da casa” suas realizações pessoais.

Mitos sobre os Indicadores de Desempenho

Para a maior parte dos gestores sociais, indicador de desempenho é sinônimo de desafio. Para alguns, ainda significa burocracia e matematização – a tentativa de quantificar o que, para eles, seria impossível de quantificar. Só que muitos desses entendimentos sobre indicadores são mitos. Indicadores podem ser ferramentas bastante práticas, simples e adequadas para mensurar, descrever e, especialmente, comunicar os resultados e as qualidades de um projeto. Um indicador de desempenho não precisar ser necessariamente, um “número”, ele pode ser uma descrição de quadros (marcos zeros) antes e depois, dai vale ressaltar que a qualidade dos registros, mesmo os descritivos, precisam melhorar também, e não são burocracias!

Um dos maiores desafios para a sustentabilidade de uma organização social hoje é o de comunicar resultados. É uma expectativa de parceiros, beneficiários, investidores e da sociedade: que as instituições sejam capazes de demonstrar com clareza e objetividade quais são os reais impactos de suas atividades.

O foco das estratégias de comunicação, no entanto, continua sendo, em geral, as atividades e metodologias. Mas, e é isso que a maior parte das pessoas se perguntam, em que medida essas atividades e metodologias são efetivas, por mais inovadoras e bonitas que sejam? Elas resolvem ou contribuem para resolver os problemas que justificaram a sua criação e os investimentos feitos?
Indicadores ajudam a responder esses questionamentos. Porque descrevem os resultados das atividades realizadas. Tanto os resultados operacionais, que demonstram que os investimentos foram, de fato, destinados à realização de atividades, como os impactos positivos dos projetos e ações, destacando que os investimentos e todos os esforços dedicados foram relevantes, pertinentes e que se justificaram. No fim das contas, as organizações precisam mostrar que seus projetos causam transformações reais nas realidades de pessoas e comunidades. E que essas transformações são proporcionais e merecem a atenção e os recursos aportados por parceiros.

Além disso, indicadores são subsídios essenciais para os gestores. Porque reúnem informações necessárias para melhorar a tomada de decisões. Bons gestores são os que são bem informados, os que utilizam todos os dados disponíveis para avaliar qual é o melhor caminho. Indicadores não são importantes apenas para comunicar os resultados, mas também como ferramentas de gestão, alertando para os pontos fortes e fracos e para os desafios relativos aos projetos e às atividades avaliadas.

Mas, talvez, o maior obstáculo para que os gestores criem e apliquem indicadores de desempenho para mensurar os resultados de suas organizações no dia a dia seja a crença de que se trata de instrumentos complexos, frios e  burocráticos, além de significarem um trabalho extra. Uma vez vencidos os preconceitos, os indicadores são na verdade aliados do planejamento, da gestão e da comunicação estratégica.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Você está fazendo agora o que você AMA?

Designer Sóter França Jr realiza Oficina na Varal


O Ponto de Cultura Varal Agência de Comunicação, fomentado pelo Ateliê de Ideias, produziu, numa oficina de 16 horas com o Designer Gráfico Sóter França (Rummos/E-feito), a identidade Visual – logomarca e slogan - do Evento TEIA ES 2012, que reuniu nos dias 1º e 2 de junho representantes dos Pontos, Pontões e Pontinhos de Cultura e Pontos de Leitura, do Estado. O encontro aconteceu no Centro de Treinamento Dom João Batista na Praia do Canto, em Vitória.
O objetivo era envolver os participantes da Varal que tinham disponibilidade de tempo, que possuem diferentes habilidades e vocações, em todo processo de criação e aplicação da identidade visual, divulgação do evento e organização da cenografia da TEIA capixaba.
Os integrantes do grupo de criação tiveram como primeiro desafio proposto pelo designer Sóter, a escolha do slogan, uma frase que representasse o encontro dos pontos na TEIA, que resumisse o conceito da campanha "Ligando os Pontos na Rede". Depois da frase escolhida, eles tiveram que pensar uma imagem que representasse esse conceito (explicação da escola da cadeia de DNA em anexo). Por fim, eles escolheram a fonte, um tipo de letra que buscou o exagero na ludicidade, pois não se trata de uma discussão científica, e sim cultural.
“Sermos responsáveis por esse trabalho é um desafio importante, porque é a chance de divulgarmos nossa marca, nossa missão e aonde queremos chegar. Os participantes da agência estão tendo a oportunidade de vivenciar todo o processo de produção da identidade visual e das demais etapas de trabalho, como contato com clientes e fornecedores, fazer controle de qualidade, pós atendimento, tudo isso com a supervisão de profissionais da Varal”, explica a coordenadora do Ponto de Cultura, Geisiane Teixeira
“Esperamos que no futuro os participantes possam ter desenvolvido habilidades que façam com que eles não necessitem de supervisão para produzirem outros trabalhos. Para isso existe um caminho longo pela frente que inclui muita dedicação em participar das oficinas na agência, conquistar outros clientes etc. Entendemos que só assim iremos adquirir mais experiência, conhecimento e garantir a sustentabilidade do Ponto de Cultura Varal Agência de Comunicação”, conclui, Geisiane
Para ver mais fotos da produção da identidade visual e da cenografia da TEIA ES 2012, e ficar por dentro de tudo que rolar no Ponto de Cultura Varal Agencia de Comunicação, basta acessara página da Varal no facebook.

Reprodução: ideiasdoatelie.blogspot.com

sexta-feira, 2 de março de 2012

Rummos realiza o primeiro módulo do Curso de Capacitação em Planejamento e Gestão de Projetos para a equipe de gestores do Instituto Paranaense de Cegos (IPC)


Na última quarta feira, dia 29/02, a Rummos realizou o primeiro módulo do Curso de Capacitação em Planejamento e Gestão de Projetos para a equipe de gestores do Instituto Paranaense de Cegos (IPC), em Curitiba (PR). Este curso faz parte do projeto Novo IPC, em que a Rummos está conduzindo a construção do planejamento estratégico e reestruturação programática. Esse projeto é realizado em parceria com a D+ Eficiente e com o apoio do Instituto HSBC Solidariedade.
No primeiro módulo, Gláucio Gomes, diretor executivo da Rummos, trabalhou com a equipe de coordenadores do IPC a ferramenta do Marco Lógico para elaboração, planejamento, gestão e avaliação de projetos. O Marco Lógico é uma metodologia que facilita e estimula a gestão orientada para resultados. Participaram da oficina, ainda, o Rodrigo Bonfim, do Instituto HSBC Solidariedade e a coordenadora executiva da D+ Eficiente, Regina Nakayama.
O curso que está sendo oferecido pela Rummos possui ainda outros quatro módulos, que serão realizados nos próximos meses: planejamento e gestão estratégica, comunicação institucional, avaliação e sustentabilidade. O objetivo é preparar os gestores e coordenadores técnicos do IPC para implantação de práticas de gestão mais eficientes, modernas, que contribuam para sua sustentabilidade e que melhorem o desempenho da organização em suas diversas áreas de atuação.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Gláucio Gomes, Diretor Executivo da Rummos, contribui para o Next Billion Brasil


O diretor executivo da Rummos, Gláucio Gomes, assumiu a posição de contribuidor na iniciativa Next Billion Brasil esta semana. Gláucio vai colaborar com a produção e o desenvolvimento de conteúdo para o portal http://brasil.nextbillion.net/, publicando artigos, analisando fatos e casos de sucesso e fomentando discussões sobre o crescimento dos negócios sociais no Brasil e as estratégias de sustentabilidade e desenvolvimento institucional das organizações e empreendimentos sociais no país.
A parceria entre Gláucio e o Next Billion Brasil vai ao encontro da importância que a Rummos vem dando para a pesquisa e análise sobre o atual momento de transformações no Terceiro Setor brasileiro e as novas dinâmicas de desenvolvimento e sustentabilidade das organizações da sociedade civil. A Rummos acompanha e monitora o cenário de mudanças para orientar organizações e empreendedores sociais na construção de estratégias mais efetivas de geração e mobilização de recursos e parceiros para manutenção e expansão de suas atividades.
O NextBillionBrasil.net une empresas, empreendedores, gestores, universitários, ONGs, jornalistas e outras pessoas que têm um interesse em comum: a contribuição que os negócios podem ter na redução da pobreza no Brasil. Aqui são oferecidos artigos, notícias e oportunidades de como se engajar, além de uma plataforma para conhecer casos e tendências, trocar opiniões e acompanhar o desenvolvimento desse campo novo, inovador e crescente. Queremos mostrar as estratégias, experiências, desafios e ideias das organizações e pessoas que fazem negócios para o 'Próximo Bilhão' e mostrar um pouco mais quem apoia essas iniciativas.
O primeiro site NextBillion.net foi lançado em 2005, com conteúdo em inglês para o mundo inteiro. Logo virou referência de informações, opiniões e oportunidades sobre negócios voltados à base da pirâmide econômica. No final de 2008 foi lançado o NextBillion em Espanhol, com conteúdo específico para o público que usa esse idioma.
Em 2009, 6 organizações no Brasil se juntaram com a ideia de criar um site semelhante ao NextBillion, com conteúdo customizado para o público brasileiro e, claro, escrito em português. Em março de 2010 fomos convidados a ser parte oficialmente da família NextBillion. Desde então, montamos um comitê editorial e uma rede de escritores brasileiros e internacionais para garantir que o NextBillion Brasil possa oferecer conteúdo inédito, variado e relevante para nossos seguidores.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como cobrar transparência, credibilidade e sustentabilidade de ONGs sem investir em comunicação e marketing?


Gláucio Gomes

O tempo passa, as dificuldades aumentam para a sustentabilidade das ONGs no Brasil. Mas velhos hábitos continuam. As organizações mantém a condição de que os operadores, aqueles atuam em campo, valem mais do que todos os demais profissionais de gestão, principalmente aqueles que atuam na área de captação de recursos e marketing institucional. Quando 2 reais estão disponíveis, passam os 2 reais para financiar um técnico de campo e procuram um voluntário para captar recursos ou pensar comunicação. E quando não encontram, deixam esses setores descobertos, imaginando que suas ações vão se vender por si mesma.
ONGs ainda não entenderam que não estão tão distantes da realidade de mercado de uma empresa qualquer, que precisa tratar com prioridade seu setor comercial e seus profissionais de marketing. E se não tiver quem saiba e possa vender aquilo que se produz, simplesmente não há como se continuar produzindo em maior prazo.
Os recursos ficam cada vez mais escassos, a concorrência por esses recursos cada vez aumenta mais e as organizações continuam tratando suas áreas de comunicação e captação de recursos com absoluto amadorismo, sem prioridade. Muitos gestores e empreendedores, mesmo sabendo que não tem como principal potencialidade vender e comunicar, continuam achando que podem dar conta dessas tarefas sozinhos, sem assessoria, sem profissionais especializados. E quando são cobrados por isso, dizem que não têm recursos para contratar esse tipo de profissional ou serviço. O que pode ser verdade em parte, mas, no fundo, o fato é que não há prioridade.
Mas investidores sociais e financiadores são tão responsáveis por isso quanto as organizações. São os primeiros a cobrar sustentabilidade, pedir estratégias de escala e de continuidade para seus investimentos e a pedir que as ONGs se profissionalizem. Mas se recusam, na esmagadora maioria dos casos, a pagar por isso. São raros os investidores sociais e financiadores que permitem que recursos sejam destinados a pagamento de profissionais de gestão, de comunicação e de marketing. Ou a consultorias e assessorias que façam isso. Afinal, qual é a expectativa desses investidores e financiadores? Que os técnicos e gestores das organizações saibam e consigam fazer tudo sozinho? Que tenham habilidades e conhecimentos para, ao mesmo tempo, atender ao público e produzir ferramentas e estratégias de marketing?
Todas as fundações e institutos que conheço têm seus profissionais e assessorias de comunicação e marketing contratadas e até bem remuneradas. Porque valorizam essa área como estratégica para sua própria sustentabilidade. Por que não permitir que as organizações em que investem também possam pagar por isso? Não me parece sustentável.
Afinal, como cobrar transparência, credibilidade e sustentabilidade de ONGs sem investir em comunicação e marketing? Como pedir (e até exigir) que captem recursos da iniciativa privada se ninguem prioriza essas áreas? Pura contradição. De todas as partes envolvidas.

sábado, 29 de outubro de 2011

As Ongs, os governos e os "Malfeitos"

Gláucio Gomes

Onde há pouca informação disponível, criam-se mitos e fantasmas. O Terceiro Setor é um universo mitológico para o grande público, para a sociedade brasileira. Atacado pela direita, pelos que defendem a desarticulação de serviços sociais em nome do potencial de mercado para prover as soluções necessárias (para todas as coisas no mundo), e pela esquerda, que considera ONG instrumento reformista, promotor do estado mínimo e qualquer relação com governos como privatizações.

Primeiro mito: que só no Brasil ONGs têm parcerias financeiras com governos. E o mais tolo deles. Em todo lugar do mundo onde há um Estado desenvolvido, há relações entre governo e sociedade civil. O "não-governo" é um mecanismo de agilização na prestação de serviços públicos ou de interesse público, seja nos EUA ou na Europa. É verdade que governos não ocupam o papel de único ou principal financiador. Concordo que essa relação, nesse nível, chega à incoerência. Mas governos são parceiros valiosos de organizações sem fins lucrativos.

Basta lembrar que a maior ONG do mundo (na prática), a ONU, é financiada, em sua esmagadora maior parte, por todos os governos do mundo - é um clube de governos, que não é governo.

Dois mecanismos se destacam para financiamento governamental de ONGs: cooperação técnica ou tecnológica e contratação de serviços.
É até tolo dizer que governos estrangeiros não financiam ONGs, quando são diversas as organizações que, aqui mesmo no Brasil, recebem recursos de agências internacionais de cooperação que são governamentais: como USAID, Inter American Foundation, DFID, JICA, DANIDA, dentre outras. E assim como esses países mantém contratos de cooperação internacional com "atores não-estatais", como a União Européia (grande financiadora) denomina, também apoiam iniciativas não-governamentais dentro de suas fronteiras (através de outras agências).


E em todo lugar do mundo governos precisam contratar atores não-estatais para executar serviços que os próprios governos não tem expertise ou estrutura técnica para realizar por conta própria. Seja em governos de direita (que querem reduzir as dimensões dos governos e terceirizar ao máximo os programas, assumindo apenas um papel de supervisor e regulador) ou de esquerda. Nesse caso, qualquer organização, com ou sem fins lucrativos, que tenha pessoa jurídica e competência para executar tal serviço pode ser contratada pelo governo para executá-lo.

Ora... Não é normal uma empreiteira ACME ser contratada para construir uma hidrelétrica? Não é normal uma empresa de organização de eventos ser contratada por governos para organizar o sorteio de um evento como as Eliminatórias da Copa? Alguém acha que governos são mega-holdings que podem e sabem fazer tudo, sem contratar ninguém? Pois em muitos casos os governos precisam sim contratar serviços sociais especializados e existem ONGs que possuem expertise e competência para isso. A estruturação de um mercado de corrupção na área de compras governamentais no Brasil não é um privilégio das relações dos governos com ONGs. Muito longe disso. Se for um "mal feito", é para todos os modelos de relações público-privadas neste país e em todas as esferas: licitações fraudadas para construir grandes hidrelétricas, repasses estranhos para prefeituras municipais e autarquias, relações mal explicadas de recursos extras para universidades e centros de pesquisa e, sim, também, para ONGs. Por conta de sistemas de gestão absolutamente preparados para abrir brechas. Não são apenas ONGs que são criadas por políticos profissionais para burlar sistemas de acesso a recursos públicos. São também milhares de empresas fantasmas, notas fiscais frias e obras contratadas que custam o triplo para serem realizadas ou nem mesmo são terminadas. E os contratados, nesse caso, são grandes empresas. Por que não cancela os contratos com eles também? E aí? O governo vai construir suas próprias pontes, prédios, estádios, etc? E na maior lisura. Duvido muito. Depois falamos de outros mitos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ADEL põe o Sertão e uma geração de jovens empreendedores na semifinal de Prêmio Internacional

Há dez anos, em 2001, Wagner Gomes era um jovem estudante do ensino médio na Escola São Sebastião, em Apuiarés – município com cerca de 13 mil habitantes no semiárido cearense. Morava na comunidade Monte Alverne, na zona rural, a 12 km da escola, de onde ia e voltava todos os dias de pau-de-arara. Já tinha ido além do que a maior parte dos jovens de sua região e em sua geração conseguiu. E tinha expectativas de um dia trabalhar em um projeto que ajudasse a mudar a realidade de sua comunidade. Outros muitos jovens como ele tinham a mesma rotina em toda a região. E foi a partir dessa oportunidade histórica que nasceu a ADEL (Agência de Desenvolvimento Econômico Local).
Wagner e muitos outros jovens da região conseguiram chegar à universidade. Wagner entrou no curso de Economia da Universidade Federal do Ceará. Outros onze jovens de comunidades próximas da região do Médio Curu, onde fica Apuiarés, também entraram na universidade: em cursos como agronomia, engenharia e geografia. Esse grupo entendeu a oportunidade que tinha nas mãos, de efetivamente contribuir para transformar a realidade de suas comunidades e de suas famílias. Se conseguisse fazer com que todo o conhecimento e todas as ferramentas que estavam aprendendo na universidade fossem utilizados em prol do desenvolvimento local das comunidades rurais do sertão de onde vieram. E foi assim que surgiu a ADEL – jovens empreendedores interessados em contribuir para o desenvolvimento de suas comunidades com seus conhecimentos.
Em 2007 a ADEL foi oficialmente fundada. Hoje, apenas quadro anos depois, já são mais de 600 pequenos produtores rurais beneficiados por programas de fortalecimento da agricultura familiar e estruturação das cadeias produtivas da apicultura e da caprinovinocultura no sertão cearense. A ADEL atende a mais de 20 grupos produtivos, associações e cooperativas rurais de cinco municípios da microrregião do Médio Curu. Com um modelo de negócios inovador, a ADEL oferece capacitação, assessoria e acompanhamento técnico às organizações de produtores, aprimora as técnicas de produção e comercialização, implanta estruturas agroindustriais, apóia a comercialização direta e articula redes de produção, trocas de conhecimentos e acesso a mercados. Além disso, a ADEL está formando 100 jovens empreendedores rurais, para serem agentes de inovação e de animação nos negócios rurais de suas famílias e comunidades. A estratégia da ADEL consiste em aliar empreendedorismo, cooperação e juventude para o desenvolvimento local, endógeno e sustentável das comunidades rurais.
A ADEL alcançou agora um novo patamar em sua história de sucesso, ao ser semifinalista da competição Oportunidades Econômicas para Todos, do Portal Changemakers da Ashoka, com apoio da Ebay Foundation. Foram 893 iniciativas inscritas de mais de 90 países de todo o mundo e a ADEL é uma das 15 semifinalistas. Agora os finalistas da competição serão definidos através de votação popular online. E o voto de cada um será muito valioso para ajudar a ADEL a subir um novo degrau em seu impressionante crescimento, ganhando visibilidade mundial, sendo reconhecido por potenciais parceiros e investidores internacionais. Os vencedores da competição serão escolhidos por um júri de especialistas e receberão um prêmio final de US$ 50 mil. Com mais essa vitória, a ADEL poderá atender a mais agricultores familiares de comunidades rurais no sertão brasileiro.
Para votar acesse http://embed.changemakers.com/competitions/101640?lang=pt-br, visite o site do Portal Changemakers em http://www.changemakers.com/pt-br/todosaotrabalho ou utilize sua conta no Facebook através do link http://apps.facebook.com/changemakers/TOP.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre o crack e gente invisível

Dario de Sousa e Silva Filho *


No início da década de noventa a imprensa se perguntava como o crack não chegava ao Rio de Janeiro. A cidade já era então tristemente famosa pela disputa entre grupos armados de narcotraficantes diariamente repercutida nos noticiários. A droga é um subproduto da cocaína obtido da mistura de sua pasta com bicarbonato de sódio. Trata-se de pedras que são queimadas e inaladas e que tem baixo custo (cerca de R$3,50 por pedra já nos anos 90). O efeito é mais intenso que o da cocaína. O crack age rapidamente, vicia e debilita também com velocidade. Mas o tráfico organizado de drogas impedia sua ampla distribuição no Rio de Janeiro. O investimento do crime-negócio na época era na cocaína e na maconha de pureza e custos variados, embora fossem drogas de grande aceitação em todas as classes.

No final da década de 90, o crack ganhou as ruas do Rio. Inicialmente seu uso estava restrito à população de rua (como o era em outros centros urbanos) e à população jovem das favelas. Era a expansão da estratégia do narconegócio que já então perdia espaço para as organizações criminosas de milícias que exploravam tv a cabo, extorsão e ágio sobre botijões de gás vendidos nas favelas. Se uma política pública de segurança não conseguira eficazmente conter o tráfico armado, a competição pela exploração dos moradores das favelas o fez. Setores da imprensa que antes estavam intrigados com a ausência de crack no Rio chegaram a ver com otimismo o fenômeno das milícias. E deixaram de perceber que o crack chegara ao Rio para manter o capital de giro do narconegócio. A estratégia era perversa, sobretudo por que os traficantes sabiam que os usuários de crack eram os invisíveis da sociedade. No início, nas favelas da Zona Sul, os traficantes obrigavam que meninos de rua e usuários da comunidade consumissem a droga dentro dos limites da favela. O consumo era intenso. Mas não ostensivamente visto. Com o tempo, as “cracolândias” ocuparam espaços liminares sob a mesma capa de invisibilidade da favela: Arredores de linhas de trens, ruínas das fábricas abandonadas no empobrecido subúrbio da Leopoldina. A atual ausência de uma rede eficaz de atendimento a dependentes químicos é o resultado dessa invisibilidade social e política que foi estratégia de negócio e efeito continuado da naturalização da desigualdade.

Hoje o problema divide ativistas e juristas sobre a forma de atendimento ao usuário. Há quem defenda a internação compulsória _ que sem a já referida rede de clínicas seria meramente uma cortina de fumaça para a opinião pública, no entendimento de outros segmentos. Como herança de políticas ruins e um arraigado desleixo da sociedade contra ela mesma, o crack chega a outras classes e deixa de ser um problema exclusivo dos mais pobres. E abre espaço para drogas ainda mais baratas e destrutivas como o Ox, subproduto da cocaína, com efeito ainda mais rápido e viciante, que pode ser fabricado facilmente sem grandes recursos. E em qualquer lugar. Hoje, a cegueira que permite o espaço ocupado pelo narconegócio multinacional parece mais difícil de curar que os dependentes químicos de crack.

* Professor do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais do IFCH/UERJ/Consultor da Rummos e Professor Visitante da Università di Roma II - Tor Vergata Centro di Ricerche Economiche e Giuridiche

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mais uma etapa do projeto de elaboração do planejamento estratégico do Instituto Paranaense de Cegos - IPC (Curitiba/PR) foi realizada essa semana. Foram muitas conversas e entrevistas. Agora, vamos concluir o diagnóstico com uma oficina em agosto. Quando vamos partir para as soluções. A Rummos Assessoria e o IPC contam com o apoio do Instituto HSBC Solidariedade e da D + Eficiente nesse projeto.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Rummos ministra Curso de Planejamento para Gestores do Centro Público de Economia Solidária (CPES/ES)

A Rummos ministrou o primeiro módulo do Curso de Planejamento, Gestão e Comunicação Estratégica para o Conselho Gestor do Centro Público de Economia Solidária do Espírito Santo (CPES/ES) entre os dias 30 de maio e 1 de junho, em Vitória. Participaram do curso representantes de empreendimentos de economia solidária, entidades de fomento e órgãos públicos ligados à economia solidária no estado. Durante três dias, os participantes refletiram e discutiram sobre a realidade atual do Centro Público e pensaram juntos sobre estratégias para desenvolver a economia solidária no estado.

O Centro Público de Economia Solidária do Espírito Santo está em seu primeiro ano de atuação, sendo uma conquista do Fórum de Economia Popular Solidária (FEPS) do estado. O Conselho Gestor se reuniu para adquirir novos conhecimentos e ferramentas para gerir de modo estratégico a implantação e o desenvolvimento do Centro Público. As oficinas foram bastante práticas, focadas na aplicação das ferramentas de acordo com a realidade dos gestores. Juntos, definiram missão, visão e valores para o Centro Público e deram início ao diagnóstico situacional para traçar objetivos e metas e elaborar projetos para os próximos anos – refletiram sobre as potencialidades, limitações do Centro Público e sobre as oportunidades e ameaças em seu cenário. Na parte de comunicação, os gestores aprenderam sobre os conceitos básicos da área e discutiram a respeito de métodos e ferramentas para potencializar a comercialização de produtos e, assim, os próprios empreendimentos da economia solidária no estado.

O segundo módulo do curso acontecerá entre os dias 29 de junho e 1 de julho, em Vitória. Serão trabalhados o Marco Lógico dos programas do Centro Público e a construção de indicadores e metas para orientar as estratégias desenhadas. Além disso, irão elaborar juntos o plano estratégico de comunicação do Centro Público.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Bem Morar, do Ateliê de Idéias, é finalista do "Moradia Ideal " Desafio Global do Changemakers/Ashoka

O Programa Bem Morar, do Núcleo Habitacional, do Ateliê de Idéias, é um dos finalistas do desafio internacional "Moradia Ideal: colaboração para cidades mais inclusivas e sustentáveis". A escolha dos finalistas foi feita por um comitê avaliador, mas os três vencedores são escolhidos através de voto popular. A votação começou dia 23 de março e vai até o dia 6 de abril, e feita no site changemakers.com. Os três finalistas com maior número de votos receberão cada um US$10 mil para investir em seus projetos.
Os 11 finalistas foram escolhidos entre 289 participantes de 48 países por um painel internacional de jurados especialistas no tema. Os jurados selecionaram finalistas cujas ideias foram consideradas as mais inovadoras, mas também as com maior potencial de aplicação em escala em cenários urbanos.
Você pode saber mais sobre o Desafio acessando
changemakers.com..


Entre no site:http://www.changemakers.com/pt-br/moradiassustentaveis e vote.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Economia solidária

Luciene Sena

Desde os anos 70, muitas regiões, distritos e localidades enfrentam problemas estruturais de natureza socioeconômica como a reestruturação do tecido econômico, a redução do poder de compra, elevadas taxas de desemprego e baixo crescimento do emprego.

A insuficiência das políticas setoriais e de ajustamento econômico para resolver essas questões contribuiu para que as autoridades locais assumissem e assumam cada vez mais um ativo papel na vida socioeconômica do seu território. O estímulo à transformação produtiva, ao fomento da mudança cultural e à promoção de iniciativas locais de geração de trabalho e renda a fim de contribuir para a melhoria de qualidade de vida da comunidade são os principais objetivos.

Assim, os poderes públicos locais e sociedade civil começaram a orientar as suas intervenções, estratégias e políticas, visando a estimular o surgimento de iniciativas econômicas locais.

Um dos vieses que pode incrementar a economia local e alimentar os princípios do desenvolvimento local é a economia solidária, tema presente nas agendas dos administradores políticos e das empresas. É uma inovadora estratégia de incremento constituída por pessoas que buscam na cooperação, na autogestão, na autonomia e na democracia afirmar outra forma de produzir, uma outra economia com maior equidade, justiça social e dignidade humana.

No Espírito Santo temos exemplos como o Banco Bem, criado com apoio da Associação Ateliê de Ideias, que faz um importante trabalho nas comunidades de São Benedito, Bairro da Penha, Itararé, Jaburu, Consolação, Bonfim, Floresta e Engenharia, totalizando 31 mil habitantes. O surgimento do banco aqueceu a economia local com a circulação da moeda social, ampliou o acesso das pessoas às oportunidades, gerando mais trabalho e renda aos moradores.

As empresas podem e devem contribuir para que o desenvolvimento local aconteça, mas, antes de tudo, precisam estar conscientes de que promover o desenvolvimento local é muito mais do que apenas investir em projetos sociais. É primordial a constituição de fóruns participativos, seminários, onde seja feito o reconhecimento do território base das ações, história, características, possibilidades e, principalmente, para que cada ator social se reconheça ativo partícipe deste contexto.

O Comitê Temático de Inclusão Social do Espirito Santo em Ação discute e propõe projetos que agregam as temáticas aqui mencionadas e, principalmente, como otimizar esforços público, privado e da sociedade civil em prol de um Estado com desenvolvimento sustentável.

Nasce, assim, a visão sobre a necessidade das organizações de todos os setores sociais agirem sob orientação de princípios de responsabilidade com a sociedade e o meio ambiente. Seu grande resultado é a construção de uma institucionalidade local, capaz de levar à frente o projeto comum, tendo como base os princípios da cooperação, do pluralismo político e social e da solidariedade.

Luciene Sena é subcoordenadora do Comitê Temático de Inclusão Social do Espírito Santo em Ação e gerente executiva da Fundação Otacílio Coser


Reprodução: www.gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/02/773019/-economia+solidario.html

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Nova Cara do Sertão está no ar

Foi pensando e admirando a história da ADEL, que a Rummos, através da E-feito sua agência virtual, desenvolveu a campanha A Nova Cara do Sertão. Os jovens que fazem a ADEL são exemplos de uma nova geração que começa a ganhar vida e assumir posições de destaque em todo o semiárido brasileiro – uma geração de empreendedores. Que, motivados por um cenário mais favorável para a mobilidade social e atuação social e política, conhecem os desafios locais, mas também as oportunidades e potencialidades para criar novos modelos de negócios, propor novas formas de produção e relação com mercados e de transformar as realidades sociais das regiões em que vivem. São jovens que não têm como foco os problemas e obstáculos e, embora reconheçam os obstáculos históricos e a dificuldade de vencê-los, optam em transformar recursos, com criatividade e inovação, em trabalho, produção, conhecimento e tecnologias que vem construído a nova cara do sertão. Jovens que pensam, e põem em pratica, soluções sustentáveis para o desenvolvimento socioeconômico da região.

A ADEL reúne um grupo desses jovens. E a campanha irá contar as histórias deles, apresentar suas motivações, suas idéias e seus projetos. Um dos principais objetivos do projeto A Nova Cara do Sertão é justamente dar visibilidade a referências reais e tangíveis de mobilidade social positiva e empreendedorismo, que possam inspirar outros jovens e mostrar a investidores sociais, empresas e governos que o Sertão brasileiro não apenas é viável, é uma terra de oportunidades.

Acesse a campanha e participe: http://www.adel.org.br



sábado, 22 de janeiro de 2011

Porque Assessorar Organizações de Base

Por Gláucio Gomes

Nos últimos anos muito tem se investido em organizações de base no Brasil. Não há dúvida que entidades endógenas, autogestionárias e que representam as comunidades e grupos sociais são fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico do país. Formam o tecido social que dá sustentação, força e capilaridade à democracia. Essas pequenas e médias organizações são produtoras de conhecimento, difusoras de saber e criadoras de tecnologias sociais que refletem a diversidade cultural brasileira.

Para o investidor social, há a certeza de que os recursos aplicados estão chegando diretamente às comunidades e famílias que são os reais alvos de seus apoios.

Tudo isso é verdade. Um grande indicador do processo de democratização das agendas, ações e políticas públicas no Brasil é justamente o desenvolvimento e a diversificação de sua sociedade civil. E o fortalecimento das organizações de base aponta para descentralização da gestão, do planejamento e da própria construção dos programas de atendimento às demandas locais. O desenvolvimento das organizações de base significa a participação das pessoas comuns nos processos decisórios em nível local. Cada vez mais, através de organizações legítimas e estruturadas, as pessoas falam por si no Brasil e atuam de modo propositivo, inovando, criando soluções para seus desafios e para potencializar as suas vocações e oportunidades.

No entanto, o desenvolvimento das organizações de base tem um teto. Normalmente, essas entidades têm uma forte atuação política, especialmente no campo da governança local. Estão integralmente voltadas para realizar suas atividades-fim, que justificam e dão vida para sua existência e para mobilização de seus integrantes. Pensam e executam projetos, ações pontuais e atividades que atendem às demandas de modo direto e eficiente. Mas, e a subsistência, manutenção e o desenvolvimento dessas instituições? Será que elas têm conhecimentos, ferramentas e competências de gestão estratégica e operacional, adequadas e necessárias para sua sustentabilidade?


Por muitos anos, outro segmento de organizações sociais sem fins lucrativos atuou dando suporte nessas áreas e fornecendo ferramentas de gestão, planejamento, comunicação e avaliação para essas entidades de base. Permitindo que essas entidades pudessem se dedicar às suas missões e aos seus projetos, enquanto técnicos e especialistas contribuíam para garantir seu fortalecimento institucional. Essas entidades elaboravam projetos de captação de recursos, assessoravam o planejamento participativo das comunidades e conduziam avaliações diagnósticas e de resultados das ações junto com os atores das bases. E capacitavam esses atores para tomarem melhores decisões e serem mais eficientes em seus trabalhos. Essas organizações de assessoria eram fundamentais para a sustentabilidade das organizações de base. Não as substituíam e sim as complementavam.


Hoje, essas organizações de assessoria ainda existem. Muitas fecharam as portas. Das que continuam funcionando, a grande maioria sobrevive com muitas dificuldades. Com o foco atual dos investidores sociais nas organizações de base, são muito escassos os recursos para esse segmento institucional. O enfraquecimento das instituições de assessoria representa uma ameaça para o desenvolvimento das bases sociais. Um limite claro para o crescimento de organizações pequenas e médias, que demandam apoio para que, em longo prazo, cresçam e sejam capazes de representam efetivamente o potencial de suas comunidades.

Os investidores sociais que buscam sustentabilidades e impactos sociais duradouros em suas ações precisam reconhecer essa cadeia produtiva no Terceiro Setor. Onde as bases sociais, organizadas, vêem seu trabalho facilitado e potencializado por uma gama de entidades especializadas em assessorá-las nas etapas do ciclo de gestão – das próprias organizações e também de suas operações (projetos). As entidades de base percebem com sucesso as demandas e os motivos de suas ações. No entanto, com apoio de especialistas, conseguem ter clareza em suas missões, objetivos de longo prazo e avaliam os conjuntos de oportunidades e ameaças que as cercam. Além disso, as organizações de assessoria são valiosas para garantir qualidade e agilidade na comunicação de atividades, diferenciais e resultados e transparência e eficiência na prestação de contas e no controle de resultados e investimentos.

Por fim, são as organizações de assessoria são instrumentos essenciais para sistematização das estratégias e metodologias desenvolvidas pelas organizações de base. Possuem um importante papel na produção e difusão de conhecimentos e tecnologias sociais. Função que dificilmente as entidades de base conseguem realizar por conta própria.

Os investidores sociais devem considerar que mesmo pequenas e médias empresas solicitam apoio de instituições como o SEBRAE e, sempre que possível, contratam consultores especializados em planejamento, gestão, comunicação e avaliação de outras empresas de consultoria famosas. Na iniciativa empresarial, vale a premissa de que as empresas devem se dedicar o máximo possível aos seus negócios (atividades-fim), contando com o apoio de outras empresas de diferentes segmentos (como consultoria em gestão), para garantir o máximo de eficiência. O mesmo pressuposto deve valer para as organizações do Terceiro Setor.

Novos modelos de apoio a organizações sociais precisam ser desenvolvidos, de modo que entidades de assessoria tenham acesso a recursos para dar o suporte necessário para o desenvolvimento de base no Brasil.

Foto: José Dias (CEPFS - Teixeira/Paraíba) e Gláucio Gomes em reunião na Rummos

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

CEPFS na etapa final do Prêmio ANU 2010

O projeto desenvolvido pelos nossos parceiros do CENTRO DE EDUCAÇÃO POPULAR E FORMAÇÃO SOCIAL - CEPFS, indicado e selecionado no estado da Paraíba, como finalista do prêmio ANU 2010, promovido pela CUFA, foi vencedor da etapa estadual. A partir dia 07 de janeiro/2011 tem início a votação da terceira fase para escolher a melhor iniciativa do ano, em nível Nacional. Você pode saber mais sobre o CEPFS acessando www.cepfs.org e cepfs.blogspot.com e também ver matéria publicada pela CUFA/PB: http://www.cufaparaiba.org/index.php?option=com_content&view=article&id=140:recursos-hidricos-e-o-projeto-classificado-para-terceira-fase-do-premio-anu&catid=1:latest-news

Cadastra-se aqui para votar na terceira fase :

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

E-feito, Agência Virtual da Rummos, produz Catálogo do Bem Arte Moda

O Bem Arte moda está lançando sua nova coleção. Desenvolvida pela designer Jacqueline Chaibay, as camisetas e protudos de copa e cozinha foram inspirados na iconografia do Espírito Santo e das comunidades onde vivem e trabalham as costureiras. A E-feito está produzindo o catálogo com os novos produtos. O pessoal do Bem Arte Moda conseguiu juntar um grupo de profissionais voluntários e descobriu belas modelos na comundade, que também serviu de cenário. A produção foi feita pela Carolina Goulart, Letícia Korres e Sheila Nogueira e as fotos pela Andressa Reis. As modelos foram Daniela Alacrino e Eduardo Santos.
O Bem Arte Moda é um dos negócios comunitários apoiados pelo Programa de encubação de empreendimentos de econômia solidária do Ateliê de Idéias. Você pode conhecer mais sobre o Bem Arte Moda acessando http://bemartemoda.blogspot.com