sexta-feira, 2 de março de 2012

Rummos realiza o primeiro módulo do Curso de Capacitação em Planejamento e Gestão de Projetos para a equipe de gestores do Instituto Paranaense de Cegos (IPC)


Na última quarta feira, dia 29/02, a Rummos realizou o primeiro módulo do Curso de Capacitação em Planejamento e Gestão de Projetos para a equipe de gestores do Instituto Paranaense de Cegos (IPC), em Curitiba (PR). Este curso faz parte do projeto Novo IPC, em que a Rummos está conduzindo a construção do planejamento estratégico e reestruturação programática. Esse projeto é realizado em parceria com a D+ Eficiente e com o apoio do Instituto HSBC Solidariedade.
No primeiro módulo, Gláucio Gomes, diretor executivo da Rummos, trabalhou com a equipe de coordenadores do IPC a ferramenta do Marco Lógico para elaboração, planejamento, gestão e avaliação de projetos. O Marco Lógico é uma metodologia que facilita e estimula a gestão orientada para resultados. Participaram da oficina, ainda, o Rodrigo Bonfim, do Instituto HSBC Solidariedade e a coordenadora executiva da D+ Eficiente, Regina Nakayama.
O curso que está sendo oferecido pela Rummos possui ainda outros quatro módulos, que serão realizados nos próximos meses: planejamento e gestão estratégica, comunicação institucional, avaliação e sustentabilidade. O objetivo é preparar os gestores e coordenadores técnicos do IPC para implantação de práticas de gestão mais eficientes, modernas, que contribuam para sua sustentabilidade e que melhorem o desempenho da organização em suas diversas áreas de atuação.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Gláucio Gomes, Diretor Executivo da Rummos, contribui para o Next Billion Brasil


O diretor executivo da Rummos, Gláucio Gomes, assumiu a posição de contribuidor na iniciativa Next Billion Brasil esta semana. Gláucio vai colaborar com a produção e o desenvolvimento de conteúdo para o portal http://brasil.nextbillion.net/, publicando artigos, analisando fatos e casos de sucesso e fomentando discussões sobre o crescimento dos negócios sociais no Brasil e as estratégias de sustentabilidade e desenvolvimento institucional das organizações e empreendimentos sociais no país.
A parceria entre Gláucio e o Next Billion Brasil vai ao encontro da importância que a Rummos vem dando para a pesquisa e análise sobre o atual momento de transformações no Terceiro Setor brasileiro e as novas dinâmicas de desenvolvimento e sustentabilidade das organizações da sociedade civil. A Rummos acompanha e monitora o cenário de mudanças para orientar organizações e empreendedores sociais na construção de estratégias mais efetivas de geração e mobilização de recursos e parceiros para manutenção e expansão de suas atividades.
O NextBillionBrasil.net une empresas, empreendedores, gestores, universitários, ONGs, jornalistas e outras pessoas que têm um interesse em comum: a contribuição que os negócios podem ter na redução da pobreza no Brasil. Aqui são oferecidos artigos, notícias e oportunidades de como se engajar, além de uma plataforma para conhecer casos e tendências, trocar opiniões e acompanhar o desenvolvimento desse campo novo, inovador e crescente. Queremos mostrar as estratégias, experiências, desafios e ideias das organizações e pessoas que fazem negócios para o 'Próximo Bilhão' e mostrar um pouco mais quem apoia essas iniciativas.
O primeiro site NextBillion.net foi lançado em 2005, com conteúdo em inglês para o mundo inteiro. Logo virou referência de informações, opiniões e oportunidades sobre negócios voltados à base da pirâmide econômica. No final de 2008 foi lançado o NextBillion em Espanhol, com conteúdo específico para o público que usa esse idioma.
Em 2009, 6 organizações no Brasil se juntaram com a ideia de criar um site semelhante ao NextBillion, com conteúdo customizado para o público brasileiro e, claro, escrito em português. Em março de 2010 fomos convidados a ser parte oficialmente da família NextBillion. Desde então, montamos um comitê editorial e uma rede de escritores brasileiros e internacionais para garantir que o NextBillion Brasil possa oferecer conteúdo inédito, variado e relevante para nossos seguidores.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como cobrar transparência, credibilidade e sustentabilidade de ONGs sem investir em comunicação e marketing?


Gláucio Gomes

O tempo passa, as dificuldades aumentam para a sustentabilidade das ONGs no Brasil. Mas velhos hábitos continuam. As organizações mantém a condição de que os operadores, aqueles atuam em campo, valem mais do que todos os demais profissionais de gestão, principalmente aqueles que atuam na área de captação de recursos e marketing institucional. Quando 2 reais estão disponíveis, passam os 2 reais para financiar um técnico de campo e procuram um voluntário para captar recursos ou pensar comunicação. E quando não encontram, deixam esses setores descobertos, imaginando que suas ações vão se vender por si mesma.
ONGs ainda não entenderam que não estão tão distantes da realidade de mercado de uma empresa qualquer, que precisa tratar com prioridade seu setor comercial e seus profissionais de marketing. E se não tiver quem saiba e possa vender aquilo que se produz, simplesmente não há como se continuar produzindo em maior prazo.
Os recursos ficam cada vez mais escassos, a concorrência por esses recursos cada vez aumenta mais e as organizações continuam tratando suas áreas de comunicação e captação de recursos com absoluto amadorismo, sem prioridade. Muitos gestores e empreendedores, mesmo sabendo que não tem como principal potencialidade vender e comunicar, continuam achando que podem dar conta dessas tarefas sozinhos, sem assessoria, sem profissionais especializados. E quando são cobrados por isso, dizem que não têm recursos para contratar esse tipo de profissional ou serviço. O que pode ser verdade em parte, mas, no fundo, o fato é que não há prioridade.
Mas investidores sociais e financiadores são tão responsáveis por isso quanto as organizações. São os primeiros a cobrar sustentabilidade, pedir estratégias de escala e de continuidade para seus investimentos e a pedir que as ONGs se profissionalizem. Mas se recusam, na esmagadora maioria dos casos, a pagar por isso. São raros os investidores sociais e financiadores que permitem que recursos sejam destinados a pagamento de profissionais de gestão, de comunicação e de marketing. Ou a consultorias e assessorias que façam isso. Afinal, qual é a expectativa desses investidores e financiadores? Que os técnicos e gestores das organizações saibam e consigam fazer tudo sozinho? Que tenham habilidades e conhecimentos para, ao mesmo tempo, atender ao público e produzir ferramentas e estratégias de marketing?
Todas as fundações e institutos que conheço têm seus profissionais e assessorias de comunicação e marketing contratadas e até bem remuneradas. Porque valorizam essa área como estratégica para sua própria sustentabilidade. Por que não permitir que as organizações em que investem também possam pagar por isso? Não me parece sustentável.
Afinal, como cobrar transparência, credibilidade e sustentabilidade de ONGs sem investir em comunicação e marketing? Como pedir (e até exigir) que captem recursos da iniciativa privada se ninguem prioriza essas áreas? Pura contradição. De todas as partes envolvidas.

sábado, 29 de outubro de 2011

As Ongs, os governos e os "Malfeitos"

Gláucio Gomes

Onde há pouca informação disponível, criam-se mitos e fantasmas. O Terceiro Setor é um universo mitológico para o grande público, para a sociedade brasileira. Atacado pela direita, pelos que defendem a desarticulação de serviços sociais em nome do potencial de mercado para prover as soluções necessárias (para todas as coisas no mundo), e pela esquerda, que considera ONG instrumento reformista, promotor do estado mínimo e qualquer relação com governos como privatizações.

Primeiro mito: que só no Brasil ONGs têm parcerias financeiras com governos. E o mais tolo deles. Em todo lugar do mundo onde há um Estado desenvolvido, há relações entre governo e sociedade civil. O "não-governo" é um mecanismo de agilização na prestação de serviços públicos ou de interesse público, seja nos EUA ou na Europa. É verdade que governos não ocupam o papel de único ou principal financiador. Concordo que essa relação, nesse nível, chega à incoerência. Mas governos são parceiros valiosos de organizações sem fins lucrativos.

Basta lembrar que a maior ONG do mundo (na prática), a ONU, é financiada, em sua esmagadora maior parte, por todos os governos do mundo - é um clube de governos, que não é governo.

Dois mecanismos se destacam para financiamento governamental de ONGs: cooperação técnica ou tecnológica e contratação de serviços.
É até tolo dizer que governos estrangeiros não financiam ONGs, quando são diversas as organizações que, aqui mesmo no Brasil, recebem recursos de agências internacionais de cooperação que são governamentais: como USAID, Inter American Foundation, DFID, JICA, DANIDA, dentre outras. E assim como esses países mantém contratos de cooperação internacional com "atores não-estatais", como a União Européia (grande financiadora) denomina, também apoiam iniciativas não-governamentais dentro de suas fronteiras (através de outras agências).


E em todo lugar do mundo governos precisam contratar atores não-estatais para executar serviços que os próprios governos não tem expertise ou estrutura técnica para realizar por conta própria. Seja em governos de direita (que querem reduzir as dimensões dos governos e terceirizar ao máximo os programas, assumindo apenas um papel de supervisor e regulador) ou de esquerda. Nesse caso, qualquer organização, com ou sem fins lucrativos, que tenha pessoa jurídica e competência para executar tal serviço pode ser contratada pelo governo para executá-lo.

Ora... Não é normal uma empreiteira ACME ser contratada para construir uma hidrelétrica? Não é normal uma empresa de organização de eventos ser contratada por governos para organizar o sorteio de um evento como as Eliminatórias da Copa? Alguém acha que governos são mega-holdings que podem e sabem fazer tudo, sem contratar ninguém? Pois em muitos casos os governos precisam sim contratar serviços sociais especializados e existem ONGs que possuem expertise e competência para isso. A estruturação de um mercado de corrupção na área de compras governamentais no Brasil não é um privilégio das relações dos governos com ONGs. Muito longe disso. Se for um "mal feito", é para todos os modelos de relações público-privadas neste país e em todas as esferas: licitações fraudadas para construir grandes hidrelétricas, repasses estranhos para prefeituras municipais e autarquias, relações mal explicadas de recursos extras para universidades e centros de pesquisa e, sim, também, para ONGs. Por conta de sistemas de gestão absolutamente preparados para abrir brechas. Não são apenas ONGs que são criadas por políticos profissionais para burlar sistemas de acesso a recursos públicos. São também milhares de empresas fantasmas, notas fiscais frias e obras contratadas que custam o triplo para serem realizadas ou nem mesmo são terminadas. E os contratados, nesse caso, são grandes empresas. Por que não cancela os contratos com eles também? E aí? O governo vai construir suas próprias pontes, prédios, estádios, etc? E na maior lisura. Duvido muito. Depois falamos de outros mitos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ADEL põe o Sertão e uma geração de jovens empreendedores na semifinal de Prêmio Internacional

Há dez anos, em 2001, Wagner Gomes era um jovem estudante do ensino médio na Escola São Sebastião, em Apuiarés – município com cerca de 13 mil habitantes no semiárido cearense. Morava na comunidade Monte Alverne, na zona rural, a 12 km da escola, de onde ia e voltava todos os dias de pau-de-arara. Já tinha ido além do que a maior parte dos jovens de sua região e em sua geração conseguiu. E tinha expectativas de um dia trabalhar em um projeto que ajudasse a mudar a realidade de sua comunidade. Outros muitos jovens como ele tinham a mesma rotina em toda a região. E foi a partir dessa oportunidade histórica que nasceu a ADEL (Agência de Desenvolvimento Econômico Local).
Wagner e muitos outros jovens da região conseguiram chegar à universidade. Wagner entrou no curso de Economia da Universidade Federal do Ceará. Outros onze jovens de comunidades próximas da região do Médio Curu, onde fica Apuiarés, também entraram na universidade: em cursos como agronomia, engenharia e geografia. Esse grupo entendeu a oportunidade que tinha nas mãos, de efetivamente contribuir para transformar a realidade de suas comunidades e de suas famílias. Se conseguisse fazer com que todo o conhecimento e todas as ferramentas que estavam aprendendo na universidade fossem utilizados em prol do desenvolvimento local das comunidades rurais do sertão de onde vieram. E foi assim que surgiu a ADEL – jovens empreendedores interessados em contribuir para o desenvolvimento de suas comunidades com seus conhecimentos.
Em 2007 a ADEL foi oficialmente fundada. Hoje, apenas quadro anos depois, já são mais de 600 pequenos produtores rurais beneficiados por programas de fortalecimento da agricultura familiar e estruturação das cadeias produtivas da apicultura e da caprinovinocultura no sertão cearense. A ADEL atende a mais de 20 grupos produtivos, associações e cooperativas rurais de cinco municípios da microrregião do Médio Curu. Com um modelo de negócios inovador, a ADEL oferece capacitação, assessoria e acompanhamento técnico às organizações de produtores, aprimora as técnicas de produção e comercialização, implanta estruturas agroindustriais, apóia a comercialização direta e articula redes de produção, trocas de conhecimentos e acesso a mercados. Além disso, a ADEL está formando 100 jovens empreendedores rurais, para serem agentes de inovação e de animação nos negócios rurais de suas famílias e comunidades. A estratégia da ADEL consiste em aliar empreendedorismo, cooperação e juventude para o desenvolvimento local, endógeno e sustentável das comunidades rurais.
A ADEL alcançou agora um novo patamar em sua história de sucesso, ao ser semifinalista da competição Oportunidades Econômicas para Todos, do Portal Changemakers da Ashoka, com apoio da Ebay Foundation. Foram 893 iniciativas inscritas de mais de 90 países de todo o mundo e a ADEL é uma das 15 semifinalistas. Agora os finalistas da competição serão definidos através de votação popular online. E o voto de cada um será muito valioso para ajudar a ADEL a subir um novo degrau em seu impressionante crescimento, ganhando visibilidade mundial, sendo reconhecido por potenciais parceiros e investidores internacionais. Os vencedores da competição serão escolhidos por um júri de especialistas e receberão um prêmio final de US$ 50 mil. Com mais essa vitória, a ADEL poderá atender a mais agricultores familiares de comunidades rurais no sertão brasileiro.
Para votar acesse http://embed.changemakers.com/competitions/101640?lang=pt-br, visite o site do Portal Changemakers em http://www.changemakers.com/pt-br/todosaotrabalho ou utilize sua conta no Facebook através do link http://apps.facebook.com/changemakers/TOP.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre o crack e gente invisível

Dario de Sousa e Silva Filho *


No início da década de noventa a imprensa se perguntava como o crack não chegava ao Rio de Janeiro. A cidade já era então tristemente famosa pela disputa entre grupos armados de narcotraficantes diariamente repercutida nos noticiários. A droga é um subproduto da cocaína obtido da mistura de sua pasta com bicarbonato de sódio. Trata-se de pedras que são queimadas e inaladas e que tem baixo custo (cerca de R$3,50 por pedra já nos anos 90). O efeito é mais intenso que o da cocaína. O crack age rapidamente, vicia e debilita também com velocidade. Mas o tráfico organizado de drogas impedia sua ampla distribuição no Rio de Janeiro. O investimento do crime-negócio na época era na cocaína e na maconha de pureza e custos variados, embora fossem drogas de grande aceitação em todas as classes.

No final da década de 90, o crack ganhou as ruas do Rio. Inicialmente seu uso estava restrito à população de rua (como o era em outros centros urbanos) e à população jovem das favelas. Era a expansão da estratégia do narconegócio que já então perdia espaço para as organizações criminosas de milícias que exploravam tv a cabo, extorsão e ágio sobre botijões de gás vendidos nas favelas. Se uma política pública de segurança não conseguira eficazmente conter o tráfico armado, a competição pela exploração dos moradores das favelas o fez. Setores da imprensa que antes estavam intrigados com a ausência de crack no Rio chegaram a ver com otimismo o fenômeno das milícias. E deixaram de perceber que o crack chegara ao Rio para manter o capital de giro do narconegócio. A estratégia era perversa, sobretudo por que os traficantes sabiam que os usuários de crack eram os invisíveis da sociedade. No início, nas favelas da Zona Sul, os traficantes obrigavam que meninos de rua e usuários da comunidade consumissem a droga dentro dos limites da favela. O consumo era intenso. Mas não ostensivamente visto. Com o tempo, as “cracolândias” ocuparam espaços liminares sob a mesma capa de invisibilidade da favela: Arredores de linhas de trens, ruínas das fábricas abandonadas no empobrecido subúrbio da Leopoldina. A atual ausência de uma rede eficaz de atendimento a dependentes químicos é o resultado dessa invisibilidade social e política que foi estratégia de negócio e efeito continuado da naturalização da desigualdade.

Hoje o problema divide ativistas e juristas sobre a forma de atendimento ao usuário. Há quem defenda a internação compulsória _ que sem a já referida rede de clínicas seria meramente uma cortina de fumaça para a opinião pública, no entendimento de outros segmentos. Como herança de políticas ruins e um arraigado desleixo da sociedade contra ela mesma, o crack chega a outras classes e deixa de ser um problema exclusivo dos mais pobres. E abre espaço para drogas ainda mais baratas e destrutivas como o Ox, subproduto da cocaína, com efeito ainda mais rápido e viciante, que pode ser fabricado facilmente sem grandes recursos. E em qualquer lugar. Hoje, a cegueira que permite o espaço ocupado pelo narconegócio multinacional parece mais difícil de curar que os dependentes químicos de crack.

* Professor do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais do IFCH/UERJ/Consultor da Rummos e Professor Visitante da Università di Roma II - Tor Vergata Centro di Ricerche Economiche e Giuridiche

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mais uma etapa do projeto de elaboração do planejamento estratégico do Instituto Paranaense de Cegos - IPC (Curitiba/PR) foi realizada essa semana. Foram muitas conversas e entrevistas. Agora, vamos concluir o diagnóstico com uma oficina em agosto. Quando vamos partir para as soluções. A Rummos Assessoria e o IPC contam com o apoio do Instituto HSBC Solidariedade e da D + Eficiente nesse projeto.